2007-11-25

Carta ao Al Gore - Nobel da Paz 2007

Carta ao Senhor Al Gore

‘’NOBEL DA PAZ 2007’’


Ao mencionar o Furacão Catarina – o primeiro do Atlântico Sul, em seu oscarizado filme ‘’Uma Verdade Inconveniente’’ – nos motivou a pensar na possibilidade de um dia Vossa Senhoria vir a aceitar um convite da sociedade atingida para visitar a região, que repentinamente foi devastada com destruição e morte na noite de 28 de março de 2004, com seu epicentro precisamente em Araranguá, no Sul de Santa Catarina e do Brasil.
Tentaremos, brevemente, descrever a nossa região para que sua equipe possa avaliar esta possibilidade da sua visita quando de alguma passagem pelo Brasil, como no Congresso Nacional onde temos conhecimento de uma tentativa de trazê-lo para uma palestra sobre Aquecimento Global e Mudanças Climáticas.
Acreditamos que suas palavras poderão mudar os corações e mentes dos governantes no sentido da aplicação de políticas públicas preventivas e de adaptação.

INTRODUÇÃO
As imensas reservas de carvão mineral, mesmo de alto teor de cinzas e baixo poder calorífico no sul do país, fascinam mineradores, políticos e governantes brasileiros de uma forma intrigante, transformando-os em ferrenhos defensores do combustível fóssil mais poluente do planeta, responsável direto pelo desequilíbrio da camada de ozônio, causando o aquecimento global que resulta nas perigosas mudanças climáticas.
A região sul de Santa Catarina é considerada pelo Decreto Federal Nº. 85.206, desde 1980, como uma das mais poluídas do Brasil, causada pela famigerada atividade carbonífera, desde a brutal extração do minério fóssil até a poluente queima nas caldeiras da termelétrica Jorge Lacerda 856/MW – Tractebel / Suez em Capivari de Baixo/SC. Três bacias hidrográficas (Araranguá, Urussanga e Tubarão) estão com seus recursos hídricos comprometidos, em alguns pontos a acidez da água é tão alta que o pH chega a 3, desembocando na APA da Baleia Franca. Por onde existe mineração o solo torna-se improdutivo e a vegetação é dizimada (se considerarmos as calhas dos rios, as áreas degradadas poderão ultrapassar 30 mil hectares). Uma Reserva Biológica Estadual (Aguaí) e dois Parques Nacionais (Itaimbezinho e São Joaquim) estão comprometidos com a chuva ácida, além das milhares de toneladas de CO² lançadas na atmosfera desde a década de 60. Além do caótico cenário, existe a exploração dos trabalhadores mineiros, submetendo-os a uma espécie de escravidão ambiental, pois vivem debaixo da terra num ambiente insalubre e promíscuo, adquirindo a incurável pneumonoconiose e aposentando-se aos 15 anos de trabalho para exageradamente enriquecerem os donos das minas e morrerem pobres. Uma verdadeira injustiça ambiental!
Uma sentença judicial, no ano de 2000, condenou à recuperação ambiental, algumas mineradoras, a União pela CSN (na época estatal) e o Estado de Santa Catarina pelo órgão licenciador / fiscalizador FATMA - este estranhamente conseguiu livrar-se da sentença. O MPF e a Justiça Federal têm prorrogado o prazo através de ajuste de condutas que não acabam mais. Uma outra ação condenou a Tractebel/Suez a elaborar um novo EIA-RIMA para a usina e a indenizar todas as pessoas vitimadas de doenças pulmonares na região.
Como sociedade civil organizada, temos tentando acanhadamente mudar os corações e mentes dos que defendem a atividade carbonífera, mas sem muito sucesso, já que não temos nenhuma espécie de recurso para fortalecer a luta contra a poderosa degradação ambiental. Conseguimos mobilizar a criação dos Comitês de Bacias, chegando a ocupar a primeira presidência do Comitê do Araranguá, mas também pouco conseguimos avançar em termos práticos. Estamos envolvidos em mais de quinze missões de âmbito sócio-ambiental na região e no estado, como também integramos a redes do GT Energia e GT Clima do FBOMS. Divulgamos intensamente junto à sociedade civil, tanto urbana quanto rural, as vantagens das energias renováveis para a natureza e a qualidade de vida para a população.
Com o advento do Furacão Catarina em 2004, realizamos em parceria com a Associação de Municípios - AMESC e apoio dos Amigos da Terra, o Primeiro Encontro sobre Fenômenos Naturais, Adversidades e Mudanças Climáticas da Região do Catarina, com a presença de 700 pessoas, grande parte educadores e servidores municipais ligados ao meio ambiente. Na seqüência, com a coordenação do NatBrasil, realizamos várias oficinas temáticas para entidades dos municípios afetados pelo furacão.
Atualmente estamos lutando desesperadamente contra a instalação da USITESC 440/MW em Treviso/SC, nas encostas dos Aparados da Serra e a ameaça de mais duas usinas na região, que assustadoramente foi em toda a imensa costa do Atlântico Sul, a ''escolhida'' pelo inédito Furacão Catarina a causar pânico, destruição e mortes.
Atenciosamente
Tadeu Santos Coordenador Geral
Sócios da Natureza
ONG Fundada em 1980.
(Prêmio Fritz Muller 1985)

’’ TRABALHANDO EXCLUSIVAMENTE DE FORMA VOLUNTÁRIA
E,
SEMPRE BUSCANDO OBJETIVOS DE INTERESSE COLETIVO ’’

Av. XV de Novembro Nº. 1585, sala 01 – CEP 88900 000 – Araranguá – SC
Fone: 48 - 99850053 / 3522 1818 Fax: 3522-0709E-mail: sociosnatureza@contato.net Site em construção www.sociosdanatureza.org

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UM OLHAR SOCIOAMBIENTAL

UM OLHAR SOCIOAMBIENTAL

Mitt foto
Araranguá, Sul de SC, Brazil
Nascido em 22/07/1951, em Praia Grande/SC, na beira do rio Mampituba, próximo às encostas dos Aparados da Serra, portanto embaixo do Itaimbezinho, o maior cânion da América do Sul, contudo, orgulha-se de haver recebido em 2004, o Título de Cidadão Araranguaense. Residiu em Fpolis onde exerceu por dez anos a função de projetista de edificações e realizou o documentário em Super 8 sobre as eleições pra governador em 1982, onde consta em livro sobre a história do Cinema de SC. Casado, pai de dois filhos (um formado em Cinema e outro em História) reside em Araranguá. Instalou uma das primeiras locadoras de vídeo do estado. Foi um incansável Vídeomaker e Fotógrafo. Fã de Cinema sempre. Ativista ambiental da ONG Sócios da Natureza (Onde assumiu a primeira presidência do Comitê da bacia hidrográfica do rio Araranguá – na época um fato inédito no ambientalismo). É um dos autores do livro MEMÓRIA E CULTURA DO CARVÃO EM SANTA CATARINA: Impactos sociais e ambientais. www.vamerlattis.blogspot.com